Como se eu pudesse te perder…

Era o começo de uma manhã de sábado. De olhos fechados, eu podia sentir seu cheiro e o calor do seu corpo deitado ao meu lado. Por um breve segundo fiquei com receio de abrir os olhos e não ser verdade, mas era tudo real demais para ser um sonho. Sentir o corpo dele perto de mim, seu cheiro, o cheiro do vento que entrava pela janela e até jurava conseguir sentir o sabor da luz do sol que entrava tímida no quarto.

Abri os olhos e a primeira coisa que vi foi o seu rosto. Ele estava de olhos fechados voltados para cima. Ainda dormia, aproveitando os últimos minutos de sono. Uma expressão serena imersa em seus próprios sonhos. Eu poderia ficar fitando ele durante horas. Uma vez me disseram que a felicidade é todo momento que você não quer que termine. Então, naquele momento eu estava sendo feliz.

Ele se mexeu um pouco e me aninhei em seu peito, fazendo seu braço de travesseiro. Ele sorriu e abriu timidamente um dos olhos, me envolvendo com o braço que eu repousava a cabeça e me trazendo mais pra perto dele. Eu amei cada detalhe daquele momento. Sentir a pele dele no meu rosto, seu cheiro. Conseguia até ouvir as batidas do seu coração. Parecia música. Nenhuma trilha sonora conseguiria ser mais perfeita.

Eu perguntei a Deus o que precisaria fazer para ficar ali pra sempre, na esperança de encontrar um jeito, de fugir das batalhas que travava contra o mundo. Nada conseguia me alcançar ali. Tristeza, angústia, raiva. Não havia espaço para esses sentimentos.

Então o abracei mais forte, como se pudesse agarrar aquele momento e não deixa-lo acabar. Queria viver esse sentimento cada momento da minha vida.

Sabe porque esse momento foi tão especial para mim? Porque eu sabia que ia acabar. Sabia que chegaria o momento de dar tchau.

Eu sabia que se quisesse continuar te amando na mesma intensidade, deveria te amar como se eu pudesse te perder a qualquer momento. Cada abraço foi como um adeus e cada beijo o último.

E cada manhã que passei com você foi como um presente de Deus dizendo que teríamos mais um momento para viver o lado mais bonito desse sentimento. E como um último presente, tentamos aproveitar ao máximo. Eu não precisava sair para lugares distantes, não precisávamos ir ao cinema ou restaurantes caros. Estar perto já basta.

E eu te amei como se pudesse te perder.

Foi o sentimento mais bonito que já senti, porque quando esse último momento chegou ele era tão especial quanto todos os outros. Não teve despedida, dor nem fim. Só tivemos um último momento, como todos os últimos que tivemos.

Blogueiro, criador do Cronistas de Quarto, amante de chuva, música, cinema e passar horas no quarto rabiscando aventuras.

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