Sobre relacionamentos complicados

Quando a gente ama, tudo é novo, tudo é intenso forte  e estar perto da pessoa de quem gostamos é tudo que desejamos. Mas o que acontece depois que o tempo passa. Esse desejo continua forte como no começo? O que acontece no decorrer do tempo? Porque o começo é sempre melhor?

Eu passei por muitos relacionamentos e quase todos foram iguais. Aqueles primeiros dias eram os melhores, onde ainda somos meio tímidos e tudo no outro me atraia de um jeito especial. Mas também tive aqueles dias longos, depois de muitos anos após o primeiro encontro, onde  parecíamos mais dois amigos zuando um ao outro, tirando sarro e trocando ofensas. Algumas vezes de um jeito mais sério, outras só pelo por brincadeira mesmo.

Acho que a resposta está em uma metáfora que eu vou te explicar. Imagine uma pessoa com muita fome. E então ela para em um lugar que vende pamonhas. A primeira pamonha que essa pessoa comer terá um sabor único em todo o universo. Tudo que ela deseja é essa pamonha e que aquele momento dure para sempre. Então ela pede outra. Ela saboreia, embora ainda seja gostosa, não tem a mesma excitação que a primeira teve. Mesmo assim, ele pede a terceira. E ela já não é tão boa assim…

É o que acontece quando duas pessoas se gostam muito. Elas ficam com muita vontade de viver esse sentimento, se embebedam de paixão na pressa e no desespero de aproveitar ao máximo esse sentimento, até que enjoam. Com o tempo, eu fui aprendendo que a medida que vivemos cada vez mais ao lado da pessoa que estamos apaixonados, menos vamos sentindo aquela excitação dos primeiros dias e mais vamos nos tornando amigos. Talvez você me pergunte, ” isso é ruim? ”. Eu não sei.

Sem falar de uma coisa chamada intimidade, que é algo que pode destruir completamente um relacionamento. Coisas como escovar os dentes ao lado da pessoa, tomar banho, ir ao banheiro… Não coisas que ajudam muito a manter o tesão da relação. Muitas vezes tudo isso até contribui para que aquela vergoinha ou receio  volte para o relacionamento de um jeito nada bom. Eu estava em um relacionamento assim.

 

 

Uma vez tive um relacionamento que mais parecia uma longa amizade. Acho que ainda não existe uma palavra dentro do mundo amoroso que descreve essa relação. Brincávamos, brigávamos e tirávamos sarro um do outro. Quando estávamos longe, fazíamos de tudo para estar perto. Quando estávamos perto queríamos matar um ao outro.

Um dia ele foi viajar para o interior para ver alguns familiares, e passou alguns dias por lá. Foram apenas três dias mas para mim foram três meses. Eu fiquei surpreso com a forma como sentimos falta um do outro. Eu não aguentava mais esperar o dia em que ele ia chegar. Ligava toda hora esperando ele dizer que tinha acabado de chegar. Fiquei até meio paranoico. Foi aí que eu entendi e viver um pouco na saudade era o que o nosso relacionamento precisava.

 

Mas como eu sempre digo, cada caso é um caso. Existem relacionamentos longos com a saúde de um novo, e relacionamentos novos que terminam antes de começar.

 

O tempo fez de nós dois grandes amigos com tantas histórias juntos que eu nunca pensei que dividiria com outro. Isso é algo que marca a vida para sempre.

Alguns ainda me perguntam porque eu ficava com ele mesmo com todas essas brigas e jeito “carinhoso” como nos tratamos. A resposta é que por muito tempo fomos o refúgio um do outro eu não sabemos como viver sem um porto seguro. Isso é bom ou ruim? Não sei. Mas sei que vai chegar um momento em que isso irá acabar e até tenho duas escolhas. Ter alguém em quem confio ou ser independente e solitário. Conhecer outra pessoa? O mundo não anda fácil para os esperançosos.

Blogueiro, criador do Cronistas de Quarto, amante de chuva, música, cinema e passar horas no quarto rabiscando aventuras.

Se você gostou desse texto, deixe aqui seu comentário. :)

comentários