Crônicas de Quarto #1

Eram quase seis da tarde quando eu estava saindo do trabalho. Um fim de tarde chuvoso com o sol timidamente dando tchau por trás das nuvens que jogavam uma garoa fina sobre a região.

O céu tinha um cor translúcida amarela-azulada naquela tarde. Curioso como sempre fico triste quando chove. Mas não era momento de tristeza, estava indo para casa. Mesmo com a cabeça cheia de pensamentos e o coração desnorteado.

Um amor longo que estava morrendo, um gostar que sofreu um aborto, pensamentos de problemas. Eu realmente não estava pensando direito nesses últimos dias. Me perguntava porque as pessoas gostam de partir? Eu sei que é mais fácil dar tchau do que dizer “estou aqui com você”. Porque uma pessoa que já tem seus próprios problemas assumiria uma responsabilidade dessas? Acho que no fundo o bobo sou eu por esperar um pouco de altruísmo das pessoas.

Cheguei em casa, cumprimentei meus pais e fui pro meu quarto. Deitei na cama e desfrutei por alguns momentos daquela atmosfera aconchegante, acolhedora e reconfortante que só nosso lar pode dar. Acho que essa sensação só perde para um abraço de uma mãe.

Fiquei pensando em tudo que aconteceu nas últimas semanas. Coisas boas, coisas ruins e coisas que eu disse. Fiquei olhando o teto por vários minutos sem ver nada. Luzes apagadas, abajures acesos.

Por fora, um silêncio tranquilizador, por dentro, uma mente tão caótica quanto o centro da cidade no fim do dia. Eu tenho uma forma de pensar e encarar situações da vida que sempre me ajudou muito a crescer. Encaro problemas e coisas boas como lições que Deus quer ensinar. Então eu sempre penso, o que ele quer me ensinar com isso? Fico feliz de todas as vezes ter encontrado alguma coisa.

Não notei mas estava chorando. Não era um choro real com soluços e muitas lágrimas. É um choro pior, que começa tímido pelo canto dos olhos e vai se espalhando para dentro de você. Sabe quando a gente se machuca, e só sente a ferida quando esbarra nela? Foi mais ou menos assim. Um coração doente é duas vezes pior que um coração partido. O que fiz foi tomar um remédio que só fez piorar.

Tantos pensamentos, tantas lágrimas e sentimentos. Foi mais uma tarde chuvosa. No dia seguinte faria sol e estaria pronto para um novo dia. Eu e meu coração doente.

Blogueiro, criador do Cronistas de Quarto, amante de chuva, música, cinema e passar horas no quarto rabiscando aventuras.

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