Uma luta certa com a mensagem errada.

vvv

Com certeza você deve ter notado que o diálogo sobre o orgulho LGBTQ+ ganhou grandes proporções nas últimas semanas.

Como você deve imaginar, tudo começou com o atentado em Orlando. Eu soube, no instante que as notícias saíram, que esse assunto seria levantado em todos os canais. Que a aceitação dos direitos gays estariam presentes por todos os lados.

No início, eu até fiquei feliz por estarmos debatendo novamente sobre isso. O problema, como sempre, é que as pessoas fazem isso da forma errada.

Eu não sei se você percebeu, mas a campanha #ProudToBe do YouTube teve números altíssimos de deslike em seus vídeos. Outras campanhas nas redes sociais como a Globonews também tiveram altos números de rejeição do público.

Existe muito mais por trás destes números que apenas intolerância e preconceito.

Como gay, eu gosto de debater o assunto, lutar por direitos e vestir a camisa. Já passei por muitas dificuldades em casa, na rua e em muitas outras situações e lugares. A homofobia existe e é um problema. Você faz ideia de quantas pessoas se suicidam por causa da discriminação que sofrem? Quantos jovens tiraram suas vidas por não ter a aceitação da própria família? Sinceramente, não é num mundo assim que eu quero viver. E é pelo fim do que origina esses problemas que eu luto.

O segredo por trás dos números de rejeição dessas campanha, é, no meu ponto de vista, que os gays tratam a si mesmos como uma minoria que está sendo atacada. “Estamos sendo vítima” e “estamos sendo atacados” são algumas das mensagens que ficam subentendidas em meio a essas campanhas. Não é por ai. A luta está em mostrar para o mundo que somos iguais a todo mundo. Os gays não são uma minoria que precisa ser aceita. Podem até ser, mas não deveria ser essa a mensagem. Ser gay é algo normal, e é isso que precisa ser mostrado para as pessoas. Estão lutando com a mensagem errada.

Outro exemplo que me incomodou, foi na versão brasileira da campanha do YouTube. #OrgulhoDeSer era o mote. O vídeo divulgado pelo Federico Devito me deixou muito incomodado. Embora a ideia seja plausível, o texto foi uma grande forçação de barra.

Eu tenho visto em todas essas campanhas gays se tratando como minoria. Se diminuindo. Não gente! Não é por aí. Precisamos falar de igual para igual com o mundo. Todas as minorias aliás. Mulheres precisam falar de igual para igual com o mundo. As campanhas contra o racismo tem feito isso e fizeram grandes conquistas. Negros falam de igual para igual com o mundo porque são seres humanos como todo mundo. Os gays também. Ao invés de ficarem se tratando como uma minoria que é perseguida, todos deveríamos levantar a voz e falar de igual para igual. Ninguém é melhor que ninguém. Vamos deixar o papel de vítimas por um segundo e vamos lutar pelo o que interessa. Caso contrário, vamos ficar vendo isso periodicamente quando mais coisas como o atentando em Orlando acontecer.

Para finalizar, vou deixar aqui uma das melhores campanhas que eu vi, que mostra a mensagem – ainda que tímida – sobre como essa caminhada na luta por direitos deveria ser.

Blogueiro, criador do Cronistas de Quarto, amante de chuva, música, cinema e passar horas no quarto rabiscando aventuras.

Se você gostou desse texto, deixe aqui seu comentário. :)

comentários