Estamos juntos, mas não sei onde eu estou ainda.

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Eu sempre tive muitas coisas para dizer, mas que nunca conheceram a liberdade de serem pronunciadas. Quando a gente aceita encarar tudo de novo, fica naquele receio de ser tudo igual aos outros.

As pessoas me dizem muitas coisas como “você precisa se permitir” e “você não pode se fechar para algo novo”. Mas falar sempre foi mais fácil. Quando eu escrevi sobre o que esperar de um novo amor, eu recomendei que as pessoas não se fechassem porque algum babaca descuidando pisou no seu coração.

Mas eu não me fechei para essas coisas. Eu só tentei deixar a cabeça ocupada e me dedicar a coisas que estavam ali, próximas de mim, e assim eu poderia colher os frutos de algo que já estava crescendo, ao invés de tentar plantar algo e esperar que nascesse. Também não procurei por alguém, eu estava feliz no meu trabalho, fazendo o que eu gosto e me sentindo feliz. Eu não estava muito acessível.

Mas eis que surge alguém inesperadamente e me encontra na minha toca. A gente não espera esse tipo de coisa, e eu estava tão acostumado a não me preocupar com o meu coração que não percebi que ele estava ali, torcendo para que, de alguma maneira, a gente pudesse se conhecer melhor.

Começar um relacionamento sempre causa um sentimento de déjà vu. Eu sei exatamente como as coisas vão terminar e esse é o meu maior defeito em um relacionamento. Saber que vai acabar. Você ficaria e aproveitaria ou começar para que se já vai terminar?

Eu sempre escolhi a segunda opção. Eu não gosto de gastar energia nem apostar as fichas num relacionamento. Eu prefiro deixar que as coisas fluam naturalmente, o que outras pessoas parecem não conseguir fazer. É hoje, é agora, “esperar pra quê” e “a gente tá namorando ou não”. Cobrança, pressa e uma necessidade desesperada de saber o que está acontecendo foram alguns dos motivos pelos quais coloquei muitos pontos finais.

“Mas, então, o que eu deveria fazer? ”

Eu não sei. Mas eu aceitei encarar algo que tem a possibilidade de dar certo mesmo sendo dominado por um pessimismo sem igual. Eu tenho sonhos, vontades e muitos planos.

Viajar juntos para um lugar distante e acordar em uma manhã de sol em alguma pousada perto da praia, por exemplo.

O problema é sempre estar em um “desgraçamento mental” constante sobre isso. Eu tenho tantos defeitos. Eu sou frio, indiferente, intenso, ciumento, estranho, dramático e inseguro. Porque alguém ficaria com alguém assim? Para que essa pessoa vomite isso na sua cara na primeira briga?

Eu não sei quais os caminhos que tudo isso vai tomar.

Eu não vou ter pressa para nada, porque se o mundo desabar eu já sei que vai estar de pé. Quando a gente lida com bombas nucleares, precisa de um esconderijo subterrâneo.

Quando eu listei todos os meus defeitos e as minhas inseguranças, eu entendi que foi um contrato assinado tendo lido as letras miúdas.

É normal a gente querer impressionar, querer mostrar como somos legais, como temos boas qualidades. Eu levo apenas quem eu sou de verdade. Devemos nos esforçar para melhorar, mas não para mudar quem somos.

Eu não quero que você vá embora, como também não quero ir, mas num relacionamento precisamos estar cientes de que devemos fazer o melhor para a pessoa que a gente gosta e para os nossos corações.

Resumindo estas 597 palavras, eu sou só um coração sofrido batendo no automático e tentando não me iludir outra vez.

Blogueiro, criador do Cronistas de Quarto, amante de chuva, música, cinema e passar horas no quarto rabiscando aventuras.

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