CHAOS

chaos

Eu não tenho medo do escuro.

Eu não tenho medo do que está por vir.

Cada batida, cada ritmo acelerado de um coração que jurou amor,

Ainda está batendo dentro de mim.

Como os gritos de fantasmas em um cidade abandonada.

Sentimento que corre pelas veias, distorce pensamentos,

Cria ilusões. Que traz o caos.

É o que eu desejei, é o que eu senti.

É o que me transformou, o que me tornei.

Um punhado de crenças, uma dose de apatia,

Três colheres de ausência

E uma de indiferença.

Não há… não há sofrimento.

Nem mesmo os dias, ou as horas,

Nada que exista além do tempo.

Apenas o caos.

Apenas uma vida curta, apenas o desejo

Do que está por vir.

Eles morreriam por mim,

Dariam seus corações, suas vidas,

Mas viveriam por mim?

Sem forma, sem nome, sem cheiro,

Sem luz própria.

É apenas movimento e silêncio.

É o caos.

Não é o mal, não é algo ruim,

É apenas o que sempre habitou em mim.

É vida que continua correndo,

é tempo que transcende a luzes do destino,

que segue acelerado rumo a ruína

Que tanto faz onde está, mas chegará um dia.

É chorar diante do firmamento,

Implorar por um alento,

Provido a um desatento

Um coração que nunca soube o que poderia se tornar

É criar um acordo, chorar sufocado

Pelo destino celado, em uma noite no quarto

É olhar para Deus

Com todas as perguntas entaladas

Entender seus motivos, e continuar chorando,

quebrando promessas e blasfemando tristezas.

É a saudade de quem foi,

A dor de quem ficou,

E o poder que nunca deixou.

Caos é a canção dos santos,

Os gritos dos mortos,

A alegria dos vivos,

A alma dos abortos,

As vidas que se esvaem,

Chaos são os sentimentos,

A energia e o poder

A vontade de ser, de dar a vida e morrer.

Caos é o que me tornei, além dos olhos cegos,

Além da noite escura,

Além dos perigos que me almejam.

Príncipe da noite, filhos da lua,

Segredos guardados, em uma noite no quarto,

Sufocando o choro e o desatento coração,

tão humano e frágil.

Imperfeita criação.

É tecer o sentido da própria existência.

É descer ao mais profundo e insano poço do caos,

e voltar para escrever um poema.

Blogueiro, criador do Cronistas de Quarto, amante de chuva, música, cinema e passar horas no quarto rabiscando aventuras.

Se você gostou desse texto, deixe aqui seu comentário. :)

comentários