Como uma vida mais leve está me ajudando contra a depressão.

sem-titulo-1Eu adiei a publicação desse texto por várias vezes. Queria ter publicado em agosto, o mês mais difícil pra mim por conta de todas as coisas que já aconteceram nele, como a morte da minha irmã. Depois, gostaria de ter publicado em setembro (mês de conscientização e combate mundial a depressão), mas senti mais uma vez que ainda não era a hora. Bom, acho que agora é um bom momento pra falar disso, principalmente porque agora me sinto bem o suficiente para tocar nesse assunto e expor esse meu lado que muita gente não tinha conhecimento.

Eu acho um pouco constrangedor falar de depressão. O que eu posso dizer é que é bem mais difícil do que a palavra que ouvia falar nos jornais e na TV. É como saltar de paraquedas. Quando você vê alguém pulando, não imagina como é até que chega à sua vez e se dar conta do quanto é real.

Eu nunca imaginei que estaria com depressão, e é outra coisa constrangedora de falar, porque meus amigos e conhecidos sempre me descreveram como alguém alegre. E de fato, estar com amigos me ajudou a manter a alegria por muito tempo. Mas quando ficava sozinho, as coisas ficavam um pouco mais difíceis. E a medida que o tempo foi passando eu fui querendo ficar mais e mais sozinho.

É algo engraçado de tentar explicar. Eu tenho todos os motivos do mundo para estar feliz. Eu tenho pessoas que eu gosto ao meu redor, trabalho com algo que me faz feliz, dedicava um tempo aqui ao blog e recebo mensagens de leitores que fazem meu coração sorrir. É estranho porque, parece que toda essa alegria vem de fora e não de dentro. É como tentar aquecer algo de fora para dentro. Por mais que se aqueça a parte externa, o centro continua frio.

Isso tudo começou há 10 anos atrás quando minha única irmã morreu em um acidente de carro. Essa dor é sempre tema de posts aqui no blog. Então, um alerta vermelho acendeu dentro do meu peito. Algo estava errado.

Eu sentia vontade de chorar no meio da tarde enquanto trabalhava, ficava irritadiço quando estava em casa, queria ficar sozinho. Não queria conversar ou sair. É um sentimento muito esquisito você saber que existe algo de errado com você, mas não entender o motivo. Isso só me frustrou mais. Tudo que eu sabia é que eu precisava fazer alguma coisa.

Essa decisão envolveu muitas mudanças. E a principal delas foi passar a ter uma vida mais leve. Fazer mais coisas que eu gosto muito, como correr no Parque, ler, viajar e escrever. Comecei a diminuir meu fluxo de trabalho e negar outros projetos que valeriam um bom dinheirinho. Aos poucos eu fui me recuperando.

Foi por isso que decidi tomar algumas atitudes que deixaram minha vida mais ele e me ajudaram a melhorar.

Eu estava viciado em trabalhar e produzir. Centenas de e-mails por dia, dezenas de mensagens e um punhado de ligações faziam parte da minha rotina 24h. Nada disso era realmente importante. Comecei limpando meus e-mails, minha agenda e dando atenção apenas para as prioridades.

Eu estava vivendo do jeito errado. O período da minha vida que eu mais ganhei dinheiro foi o período em que eu estive mais triste. Então, comecei a cortar o que não me fazia bem. Projetos paralelos que me consumiam e não faziam tanta importância eu fui deixando de lado. Comecei a gastar mais dinheiro com experiências do que com coisas e isso mudou meu jeito de ver o que estava ao meu redor.

Eu não sou o presidente do país ou alguma pessoa importante para ter que ficar com o celular ligado 24h recebendo notificações.  Quando menos informação eu precisei processar por minuto, melhor eu ficava.

Eu retomei algo que eu sempre gostei muito de fazer. Correr. Eu gosto de sentir a respiração acelerando, os batimentos do coração, o vento e a velocidade. Isso me ajudou a não só fisicamente, mas mentalmente também.

Bom, esses foram alguns dos passos que eu adotei para combater a depressão e evitar me sobrecarregar. Hoje eu já estou bem melhor, não é 100%, mas deve ser uns 90%. Muitas vezes eu ainda sinto vontade de chorar sem um motivo específico. Eu simplesmente vou para o meu quarto e deixo as lágrimas escorrerem. Faz bem. É como deixar o veneno da tristeza sair um pouco.

Quando passamos por alguma fase ruim, a primeira coisa a colocar na cabeça é que você não está sozinho. Existem pessoas que gostam de você e existem pessoas dispostas a te ajudar, pessoas que você nem imaginava.

 

Blogueiro, criador do Cronistas de Quarto, amante de chuva, música, cinema e passar horas no quarto rabiscando aventuras.

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