E se o meu dom for o de magoar as pessoas?

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Algumas pessoas tem muitas habilidades incríveis. Algumas tocam de forma incrível, outras falam em público perfeitamente e com convicção, outras pintam, algumas costuram bem e por aí entramos em um infinito número de dons.

Eu não sei qual é o meu. E, a essa altura da vida, tudo me leva a crer que a minha única capacidade é a de magoar as pessoas e deixar um rastro de destruição. Fruto de tudo que eu vivi, fruto de coisas que eu passei e do que aprendi com as atitudes das outras pessoas que passaram antes de você. Não estou culpando o passado. Estou admitindo que há algo errado. Um defeito dentro de mim.

Eu sei que já estraguei coisas por conta do meu ego, eu sei que já fiz pessoas sofrerem pelas minhas atitudes. Eu sou apenas uma pessoa cansada que não busca por nada e olha o mundo ao redor com apatia esperando o fim dos dias. Mas, uma vez ou outra, alguém bate na porta e tenho que levantar da cama para atender a campainha. Então, eu digo “Hey! Cuidado onde pisa, forasteiro. Isto aqui é um campo minado e você não vai querer ter o mesmo destino das outras pessoas que entraram.” Mas esse alguém ignora o que a gente diz. “Eu vou correr o risco”. E acaba sofrendo no campo minado que é meu amor. Um passo em falso e você pisa em uma ferida disfarçada de mina. Mas não diga que eu não te avisei.

Eu tenho tantos fantasmas e demônios morando no meu passado, e eles não irão se desprender de mim tão facilmente. Eu busco por liberdade, mas por alguém forte e com as armas necessárias para me libertar. Alguém tão forte e intenso quanto meus sentimentos. Mas, a cada dia que passa, nós vamos nos tornando apenas um. Eu sou assim, e eu não vou mudar fácil. Na pior das hipóteses, eu vou ser a minha ruína, vou continuar na minha solidão confortável e no silêncio caótico da minha mente. Eu sinto muito por você que tentou lutar nessa briga, que viu em mim uma oportunidade de felicidade. Que viu luz e simpatia. Enganos acontecem e finais felizes não são para todos. Como uma ave que não pode ser domesticada, eu vou bater as asas e ir embora no momento que não me sentir confortável.

Desculpe pelas lágrimas, desculpe pelo transtorno. Talvez eu coloque uma placa de aviso maior na porta agora.

 

Blogueiro, criador do Cronistas de Quarto, amante de chuva, música, cinema e passar horas no quarto rabiscando aventuras.

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