Crítica de Quarto: Beleza Oculta (Collateral Beauty)

Há muitos anos atrás, eu assistia pela primeira vez ao filme O Anjo de Vidro, estrelado pelo Rob Wiliams, que era sempre transmitido na TV aberta em época de Natal. Sempre foi um filme que me tocou muito pelos diálogos, pela abordagem em assuntos tristes e delicados como morte e relações difíceis com pessoas que amamos ou que, pelo menos, estão presentes em nossas vidas.

Agora, um outro filme despertou este mesmo sentimento em mim. Apesar de não ser tão fantasioso como parece (e como O Anjo de Vidro é), Beleza Oculta, estrelado pelo Will Smith, conseguiu tocar igualmente o assunto triste de ser reconhecido: a luto.

Pra mim foi impossível assistir ao filme sem derramar lágrimas a cada 30 minutos.

As cenas em que Howard (Will Smith), se recorda dos momentos que teve com a filha são de apertar o coração. Se você nunca perdeu alguém próximo, não pense que o comportamento do personagem principal é irreal ou exagerado. E se você já perdeu, deve saber o quanto a interpretação de Will Smith transmite um estado de luto profundo em que qualquer um pode entrar facilmente. A negação, o desinteresse e o sentimento de não se importar em perder mais nada depois de se perder alguém que se ama, é tudo real.

A história não aborda uma situação inédita na teledramaturgia, revelando ser a história de pessoas comuns; simples, em outras palavras. Ainda assim, a maioria das falas e dos diálogos são carregados de significado poético e encantador. Isso é apresentado no início quando os personagens leem o conteúdo das cartas que Howard escreveu para a morte. E até mesmo a mais simples dela (que foi escrito para o amor), é cheia de uma dor poética e compreensível.

Assim, David Frankel, que também dirigiu Marley & Eu e O Diabo Veste Prada, mostra que se preocupou em deixar cada detalhe do filme o mais emocionante possível.

Mesmo algumas delas indo contra alguns dos contextos criados anteriormente pelo filme, o longa mantém entre fugir desse contexto e segui-los. É claro que esse meu comentário fará mais sentido depois que você ver o filme. 🙂

Beleza Oculta foi massacrado pela crítica especializada. Entre os principais pontos, a atuação de Will Smith que, para a crítica, está idêntica a atuação em A Procura da Felicidade, e o desperdício de grandes nomes que compõem o restante do elenco.

Tudo que eu posso dizer é: ignore as críticas porque o filme é ótimo. Só ideia de pensar que um filme como este foi duramente criticado enquanto La La Land é aplaudido me deixa desanimado sobre o quanto confiar no que é bom ou ruim hoje em dia.

Blogueiro, criador do Cronistas de Quarto, amante de chuva, música, cinema e passar horas no quarto rabiscando aventuras.

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