O pensamento de um coração masoquista.

Foto: Tim Marshall

Um dia você me disse que as coisas ficariam bem. Que tudo ficaria bem.

Um dia eu acordei e olhei pela porta e vi que o mundo ia muito além do que as coisas que eu imaginei naqueles dias seguros e solitários. E você me disse que seria incrível. Só não me disse que seria insano, intenso e extremamente doloroso. Nós nos sentamos à beira de um lugar só nosso, à beira do universo que somos e de lá admiramos a vastidão do nosso coração.

Éramos jovens, inconsequentes e não entendíamos nada sobre vida ou sobre o que a gente estava sentindo. Acreditamos em palavras, depositamos nossa fé em pessoas que secaram até a última gota dela. Acreditei, sonhei e sofri pelas consequências.

“O tempo parecia pouco,
e a gente se parecia muito.”

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Ano após ano as coisas ficam mais difíceis, as pessoas mais distantes e insensíveis. E eu, fico nesse receio de entregar, de conhecer e de explorar esse mundo. Eu apaguei as luzes e tranquei a porta. Vesti minha melhor armadura e sai para o mundo. Sai para encarar essa guerra de corações de partidos. De um lado o ego e do outro o medo de se entregar, sentir e demonstrar.

Quando me disse tudo aquilo, talvez tenha esquecido de comentar sobre o que sentimos quando não somos correspondidos. Vários e vários dias ouvindo aquelas músicas tristes, até o momento em que conseguiu arrancar de si mesmo aquele sentimento. Dor. Pura e intensa como sufocar, como a água quando entra nos pulmões. Como riscar o peito com um caco de vidro ou ser esmagado por uma avalanche emoções.

Amor é dor.

Lembra quando partiu o primeiro coração? As lágrimas, a dor e pedidos. Você negando as palavras de dor e tristeza do outro lado da linha. Balançado a cabeça, como se isso evitasse com que elas se agarrassem na sua mente. Você quase pode ouvir o som, a voz chorosa. O som de um coração sangrando através do telefone.

Mas tudo ficaria bem.

E dessas batalhas eu volto cansado e com as últimas forças que ainda me fazem capaz de escrever uma carta. Capazes de colocar no papel toda a dor e toda frustração de um coração que ainda sangra pela primeira decepção e se flagela pelas próximas. As feridas da alma nunca se fecham. Não há carne ou pele ali para cicatrizarem. Essas feridas, carrego comigo para sempre. Ainda sagram, ainda doem e ainda incomodam nas noites em que motivo algum é forte o suficiente para tirá-las do centro das atenções. O tempo não pode curar certas coisas.

Mas você deve sentir-se bem o suficiente para enfrentar batalhas com o coração partido. E aceitar o fato de que a dor nunca irá embora e que ainda terá que enfrentar muitas batalhas mesmo que esteja ferido. Amor é sofrimento e loucura.

Então, vamos nos machucar, vamos sangrar e aproveitar nossos últimos momentos.

Blogueiro, criador do Cronistas de Quarto, amante de chuva, música, cinema e passar horas no quarto rabiscando aventuras.

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