Seu nome é Fernando, e o meu é sentimento.

Você costumava me fazer corajoso. Você estava lá quando eu estava caindo, era algo que me segurava antes que o chão fosse o meu destino. Eu e você enfrentamos lutas incontáveis, as difíceis: contra o mundo; e as piores: entre nós.

Mas seu abraço me dava a segurança de saber que, por alguns instantes, eu pertencia a você e você a mim. Você se tornou o meu porto seguro, quem me apoiava, quem estaria sempre do meu lado. Você era a imagem que vinha na minha cabeça nos momentos em que eu queria desabar e o lugar para onde eu corria quando a noite caía e as coisas não iam bem.

Mais que isso, você me viu crescer. Me viu passar de um garotinho de ensino médio a uma pessoa adulta e cheia de opiniões sobre o mundo. Talvez seja isso que tenha nos desgastado como tempo. A nossa distância um do outro. Dos momentos em que passávamos os sábados nos aventurando em alguma trilha, fazenda ou riacho nos arredores da cidade, de quando subia na moto e íamos explorar a cidade, aos momentos em que mal nos falávamos, conversamos ou nos tocávamos. Ao longo de 5 anos em que estivemos juntos, passamos por várias fases, vários momentos.

Aos poucos, aquela paixão, aquele sentimento que trazia saudade, foi se apagando, e passamos a ser algo diferente. Ainda unidos, mas distantes um do outro. Da mesma forma que eu cresci, você envelheceu. Ficou mais experiente. Ainda temos algo estranho que nos une. Um tipo diferente de amor, quase uma parceria, uma cumplicidade. Somos algo que ainda não tem nome.

Nos momentos em que estive mal, você disse “eu sou como um satélite, 24h cuidando de você.” E isso me deu tantas forças. Porque até mesmo quando eu te abandonei, você estava lá. E, eu sei, que tivemos este fim por minha culpa. Por cuidar demais, por proteger demais, por querer fazer você enfrentar seus medos. Como quando toquei sua mão enquanto caminhávamos no shopping. Por ter te desapontado várias vezes.

Mesmo entre conversas e confidencialidades, a gente sobreviveu. E se sentimos saudade, é porque foi bom.

Sinto muito pelas lágrimas.

Eu perdoo as minhas feridas.

Blogueiro, criador do Cronistas de Quarto, amante de chuva, música, cinema e passar horas no quarto rabiscando aventuras.

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