Uma noite para duas vidas.

Eu sinto o seu calor. Veja quantas pessoas ao nosso redor.

Eu sinto o movimento dos seus corpos dançando ao meu redor. Eu estou numa festa cercado pelo silêncio. A última música começou tocar e eu sinto uma vontade imensa de dançar. Pego minha bebida. Dois ou três goles, então sinto ela queimar meu coração, como as brasas das palavras que um dia o partiram em estilhaços de carvão. Derramando lágrimas e sangue pela minha fronha, enquanto eu olhava pela janela e perguntava a razão.

Agora, estou aqui, nas sombras da festa com a minha timidez. Mas o ritmo dessa música insiste em me levar até você. Vou cantarolar, lançando dizeres e emoções, lembrando você. Venha, sente-se aqui ou dance e cante comigo. Na última noite de nossas vidas, até que o amanhecer chegue, quando voltaremos a ser dois estranhos na agitação de nossas vidas.

Mas esta noite somos só nos dois. Sentindo a batida surda sobre nossos corpos. Sentindo todos ao nosso redor, mas em um mundo só nosso. Eu e você temos que partir, eu sei. Mas não é nisso que eu quero pensar. Eu quero apenas seguir este momento. Esta valsa com ritmo, sentimento e amor. Um ritmo que abandona, contagia e morre em seguida.

Dance comigo e tudo vai ficar bem.

Ninguém vai te machucar esta noite. Seremos dois estranhos e um destino pela manhã. Não tenha medo das palavras que eu vou dizer. Não tenho medo do que você vai fazer. Daqui eu posso sentir a sua respiração, e sei que vai ficar bem.

É o último verso da música. O copo está vazio.

Abri meus olhos e a cadeira vazia.

Cantei as últimas palavras.

Peguei meu casaco, paguei a conta.

Entrei no carro de um desconhecido.

Para casa, eu disse, o meu melhor destino.

 

 

P.S: Este texto foi escrito embrigado de emoções ao som desta música.

Blogueiro, criador do Cronistas de Quarto, amante de chuva, música, cinema e passar horas no quarto rabiscando aventuras.

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