A distância, a inércia e o silêncio.

Photo by Nathan Anderson

Acordar e seguir velhos caminhos que se repetem todos os dias pode não ser algo que iria satisfazer muitas pessoas.
Uma vez, eu acordei, olhei para o lado e vislumbrei futuros infinitos, possibilidades sem fim e vi que um dia eu poderia ser alguém muito diferente de quem eu sou hoje.
Mas não é isso que eu quero.
Eu quero a tranquilidade de uma manhã. A calmaria de uma noite estrelada.

Mas a cada ano que passa eu sinto que tenho apenas me afundado cada vez mais em mim mesmo. Tenho sentido cada vez menos vontade de explorar, de viver tudo o que eu poderia viver, sendo levado pela vida como um barquinho de papel por incontáveis acontecimentos e situações. Às vezes, tudo o que eu queria fazer era ficar aqui, parado e em silêncio no meu canto.

É uma das garantias de que nada vai ferir ou doer.

Ultimamente eu preferi a inércia, a distância e o silêncio do mundo. Elas me permitiram ver com mais clareza e me aprofundar em tudo aquilo que me fazia bem. Foi bom ter um tempo para mim mesmo. Dançar com as palavras, brincar com as ideias e aperfeiçoar o dom de criar coisas que o tempo não pode levar. É muito difícil ficar em cena o tempo todo. Às vezes, eu tenho que me recolher para a parte mais profunda e intensa de mim mesmo para poder cuidar das coisas que merecem atenção.

E isso também significou me afastar do amor.

Mas, vez ou outra, aquela velha vontade de encontrar uma razão para perder o fôlego me faz querer sair da toca. Aquele desejo de correr atrás do que eu mereço (mesmo que não seja muito). Um sussurro vindo do horizonte que chama pelo meu nome.

Nessa estrada sem sentido e muito louca acabamos cometendo erros, tomando erros dos outros para nossas vidas e deixando situações pequenas matarem futuros grandiosos. A verdade é que eu estava muito confortável sozinho. Me sinto inteiro. É como abafar um barulho antigo que incomodava.

Eu não culpo nem desculpo ninguém além de mim mesmo por tudo o que houve.

Eu sou um caos da cabeça aos pés.

Intenso, imprevisível e inumano.
Mas vulnerável quando ama.
Fácil de derrubar.
Fácil de derrotar.

E nesse furacão de sentimentos e incertezas, destruí algumas casas. Morada de quem fez do meu coração seu lar.

Eu sinto muito.

Por muito tempo também tenho vivido sem um coração para onde posso voltar e chamar de casa.

Blogueiro, criador do Cronistas de Quarto, amante de chuva, música, cinema e passar horas no quarto rabiscando aventuras.

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