Fantasia e Metáfora: O Príncipe e a Esperança

“Eu quero te contar uma pequena história.

Uma história sobre um pouco de eternidade de sentimentos.

Era uma vez um príncipe que não podia morrer e que vivia há muitos anos só.

Ninguém sabia ao certo de onde ele veio, onde nasceu ou quando havia se tornado príncipe. Ele vivia naquelas terras faziam anos e muitos anos, há muitas gerações atrás, tantas que sua história já havia se perdido no tempo e seu nome desaparecido nas histórias passadas de década em década. Mas ele era um bom príncipe. Ele era engraçado, tinha personalidade gentil e condescendente com todos que o procuravam para pedir ajuda ou seus conselhos. Ele era conhecido pela sabedoria que acumulou com o passar dos anos. Vivia sozinho atrás dos muros de seu castelo, recebendo com um sorriso caloroso todos aqueles que se lembravam de sua boa presença.



Mas havia algo que poucos notavam. Algo que os muros cumpriam bem seu papel de proteger. O príncipe não permitia que as pessoas notassem a angustia de viver só que havia em seu coração, pois estava congelado no tempo, eternamente parado. Sua aparência e sua vida jamais mudariam. Esse era o seu destino. Estava preso ao castelo, aos seus muros e a sua tristeza de carregar a si mesmo para sempre. Ninguém o aceitaria como ele era de verdade. Distante, apático e choroso. Eterno.

Então, um dia, ele conheceu alguém que fez seu coração bater mais uma vez. Mas esta pessoa conheceu apenas o lado que todos aqueles o procuravam viam. A medida que iam se conhecendo mais, ela foi notando quem ele realmente era e o quanto estava sofrendo. Ela tentou mudar isso, mas o príncipe continuava triste e solitário por saber que não poderia oferecer a essa pessoa a vida que uma pessoa comum poderia oferecer. Uma vida comum, feliz e repleta de bons momentos que os homens podiam ter. Os momentos que só quem desfruta da breve passagem da vida pode ter. Embora esta pessoa afugentasse as sombras, era somente por alguns momentos. Quando ela partia, tudo voltava a ser como era antes.

Ela conseguiu fazer o príncipe feliz por algumas décadas, o tempo de vida de uma pessoa comum.
Infelizmente, por ser mortal,  sua vida chegou ao fim. Como todo ser humano, ela morreu.

Então, o príncipe se fechou mais ainda em seu castelo. Agora, com um coração partido. Não conseguia suportar a ideia de passar sempre por isso, e em muitos anos de vida, desejou encontrar a morte.

Mesmo que conhecesse alguém que o aceitasse, essa pessoa seria levada pelo tempo. Um fim previsível. Assim, ele decidiu que nunca mais gostaria de alguém, pois se gostasse, estaria sempre fadado a sofrer pelo mesmo motivo. Repetindo a mesma dor. Foi quando ele entendeu que um coração pode se partir mesmo depois de séculos de vida.

Ele já conhecia o fim da história antes dela começar. Seria assim com tudo e com todos. Foi quando o príncipe fechou-se no castelo na tentativa de matar o último dos seus sentimentos: a esperança de ser feliz ao lado de alguém.



O problema era que a esperança é o único sentimento que vive para sempre.
Mesmo quando o amor, o ódio ou o medo se morrem, ela pode viver por anos a fio.

Como era a presença das pessoas que sempre matinha a esperança viva, ele decidiu se isolar do mundo. E ao fazer isso, se tornou um ser frio, distante e sem sentimentos. Conhecia apenas a bondade e a tristeza.

Contam as lendas que ele está preso em seu castelo até hoje. Adormecido em sua angústia e dor, cativeiro de uma eterna batalha com a dor e a esperança, sabendo que mesmo que se apaixone um dia, voltará a sofrer. Uma vida humana repleta de amor, seria apenas um breve instante em sua existência que para ele jamais poderia valer a pena para toda a eternidade devido ao sofrimento que sentiria no final.”

Blogueiro, criador do Cronistas de Quarto, amante de chuva, música, cinema e passar horas no quarto rabiscando aventuras.

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