Chegou a hora de voltar.

Eu vivi uma vida cansada e perdi a vontade de tocar meus caminhos.

Deixei de lado coisas que eu gostava.

Corri atrás de coisas e perdi o que mais admirava em mim.

Minha calmaria do sábado de manhã.

A capacidade de olhar para o pôr do sol e aprender com ele as diferentes formas de me curar do passado.

Perdi as noites em que a lua era a confidente das minhas lágrimas e me sussurrava segredos dos apaixonados.

Deixei de lado os momentos em que sorri no escuro.

Mesmo ferido, algo lá no fundo me dizia que tudo ia ficar bem.

Olhei para a noite e cantei as músicas que tocavam em minha cabeça enquanto caminhava pelas calçadas da cidade, onde lembranças de ex-amores se misturavam ao concreto e ao asfalto.

Aos poucos, me afoguei em mim mesmo.

Aos poucos, me perdi em meus desejos e em minhas frustrações.

Um pedido de socorro, um grito desesperado.

É o som do caos.

O som de algo chamando por um velho eu que deixava as coisas em equilíbrio.

Um velho eu que, apesar de escrever em vão para as pessoas erradas, nunca perdeu a esperança de encontrar as palavras certas.

Esse velho eu acordou. Empoeirado, entorpecido, mas com a mesma força de sua aurora.

Com a mesma sabedoria que ganhou de terras próximas e corações distantes.

É hora de voltar.

Blogueiro, criador do Cronistas de Quarto, amante de chuva, música, cinema e passar horas no quarto rabiscando aventuras.

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