Eu, antes de você.

Não é simples falar de amor.

Não é fácil falar de algo que é capaz de tocar em mim em um nível tão profundo e confuso. Eu vivi vários relacionamentos até aqui. Dos mais curtos ao mais longos. Estive com pessoas que ficaram comigo por 15 minutos. Outras, por 6 anos.

E em todos esses relacionamentos eu aprendi uma única coisa: você é a única pessoa capaz de te fazer feliz. Buscar isso em outra pessoa é carência. E carência é uma fraqueza, um defeito que machuca por dentro que cria um vazio em nossa vida. Infelizmente, não é fácil colocar o que a gente aprende em prática. Eu cresci e fui educado por pessoas muito fortes. Minha mãe e meu pai, os senhores da minha vida, eles me ensinaram a lutar contra o mundo. A nadar contra a corrente. Nos meus relacionamentos, eu sempre me frustrei.

Sempre me decepcionei. Eu sempre achei que se alguém decide ficar ao seu lado, aquilo é para somar, de alguma forma. Dividir a vida e compartilhar o que há de melhor. Uma coisa que só encontrei em um dos meus muitos relacionamentos. E que foi o meu mais feliz. Infelizmente, encontrei pessoas que não ligavam se não desse para nos vermos. Me deparei com gente que simplesmente não se esforçava para me encontrar.

Enquanto isso, eu continuava alegre do outro lado, ansioso pelo próximo encontro. Esperando para vê-la de novo. Deixava o celular próximo de mim. Esperando ansioso para receber uma mensagem de quem eu gostava. Mensagem que na maioria das vezes não chegou. Ou quando chegava, não trazia as palavras que iam alegrar meu dia. Quer saber uma das coisas mais tristes na vida? Uma pessoa saber que só precisa digitar um “eu gosto muito de você” no meio da tarde e te enviar, assim, de surpresa, para alegrar o seu coração e mesmo assim não fazer isso.

De muitas pessoas, eu nunca recebi uma mensagem no meio da tarde dizendo que gostava de mim. Eu sempre encontrei alegria nessas pequenas atitudes. Mas, para os outros, pareciam tão tolas e sem sentido. Ou porque esse “não era o jeito” dele. Aos poucos, eu fui ficando cansado de esperar por uma demonstração de carinho grátis, onde eu estava sempre disposto a mostrar. Comecei a deixar de ver motivo para colocar minha atenção numa terra tão infértil. Por vezes, aqueles que estavam comigo começaram a falar comigo só quando fazia sentido. Para perguntar se podiam jantar em casa, se podíamos ir ver o filme novo que entrou em cartaz ou porque um amigo em comum nos convidou para sair.

Nunca foi um convite sem razão ou sem programação porque queria apenas me ver. Eu, Lair, nunca fui a razão da decisão de alguém, ou o destino de uma ação. Então, como qualquer pessoa indigna do sentimento de alguém, fui me tornando amargo. Cansado. Voltei a ver prazer naquilo que faço da minha vida. Deixei de investir em jantares caros e idas ao cinema no fim de semana para pagar uma roupa mais bonita, uma ida ao salão para cuidar do cabelo ou aquele curso que eu queria fazer há muito tempo. Passei a programar as minhas viagens e decorar a minha vida. Porque, sempre foram as pessoas pensando nelas em primeiro lugar, então, agora seria eu pensando em mim, tocando a minha vida antes de tudo.

Uma outra coisinha que aprendi na vida: Todo mundo vai embora. E só fica o que você mesmo construiu. Se o que passou foi bom, para mim isso pouco importa.

Só se trilha um caminho certo olhando para a frente.

Blogueiro, criador do Cronistas de Quarto, amante de chuva, música, cinema e passar horas no quarto rabiscando aventuras.

Se você gostou desse texto, deixe aqui seu comentário. :)

comentários